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Reino de Deus ou as Demais Coisas? A decisão que define o futuro do empresário cristão

7 de out.
8 min de leitura

No dia a dia, é comum avaliarmos o desempenho de uma empresa pelo faturamento, pelo crescimento, pelo saldo em caixa ou pela quantidade de novos clientes. Esses indicadores são importantes, mas não mostram tudo.


Um negócio pode crescer financeiramente e, ao mesmo tempo, afastar-se do propósito para o qual foi criado. Por isso, este texto não traz uma fórmula rápida para aumentar as vendas nem uma estratégia para alcançar resultados imediatos. O convite aqui é outro: fazer uma pausa e olhar com sinceridade para o coração, para as prioridades e para a direção das suas decisões como empresário.


Ao longo desta reflexão, quero conversar com você sobre o lugar que o dinheiro, o lucro, a prosperidade e o crescimento ocupam na sua vida. Também quero ajudá-lo a pensar sobre a influência que sua empresa exerce sobre pessoas, famílias e comunidades.


Se você é um empresário cristão e deseja construir uma empresa alinhada aos valores do Reino de Deus, vale a pena dedicar alguns minutos a esta leitura. Talvez ela não traga todas as respostas, mas pode ajudá-lo a fazer a pergunta certa antes de tomar a próxima decisão.



O maior desafio do empreendedor cristão não é financeiro


Quando falamos sobre empreendedorismo cristão, normalmente pensamos em vendas, lucro, marketing, crescimento e gestão financeira. Todos esses assuntos são importantes. Uma empresa precisa ser bem administrada, gerar resultados e manter-se sustentável.


Mas existe uma pergunta mais importante do que qualquer indicador financeiro:

Quem está governando a sua vida e o seu negócio? Essa é a questão central.


Jesus declarou:

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33

Observe a ordem apresentada por Cristo. Ele não disse para buscarmos primeiro as demais coisas. Ele disse para buscarmos o Reino de Deus. As demais coisas aparecem como consequência.


Na prática, porém, muitos empresários e empreendedores cristãos acabam invertendo essa ordem. Buscam crescimento, segurança, estabilidade, faturamento e patrimônio. Depois, esperam que Deus acompanhe os planos que já foram definidos.


Mas Cristo propõe exatamente o contrário: primeiro o Reino, primeiro a vontade de Deus, primeiro o propósito e, depois, as demais coisas.


Essa diferença pode parecer pequena, mas define toda a direção da nossa vida.


O teste que ninguém percebe


Existe um momento na caminhada de todo empreendedor cristão em que ele precisa responder a uma pergunta desconfortável:


Eu confio em Deus ou na minha própria competência?


Nem sempre esse teste acontece em um momento de falta. Às vezes, ele aparece justamente quando surge uma oportunidade de ganhar mais dinheiro.


Pode ser uma promoção, um contrato, uma sociedade, um projeto ou uma proposta financeiramente atrativa. Mas e se essa oportunidade exigir que você abra mão daquilo que Deus colocou em seu coração?


Nesse momento, a questão deixa de ser apenas financeira. Ela passa a ser espiritual.


Você começa a perceber que pode existir uma grande distância entre aquilo que gera lucro e aquilo que produz propósito. É nesse ponto que a fé é colocada à prova.


O que está conduzindo a sua decisão? A direção de Deus ou o desejo de obter mais?


Essa não é uma pergunta simples. Muitas vezes, a resposta exige coragem, porque podemos estar chamando de oportunidade aquilo que, na verdade, está nos afastando do propósito que Deus nos confiou.


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A armadilha das demais coisas


As demais coisas não são necessariamente ruins. Dinheiro não é ruim. Lucro não é ruim. Prosperidade não é ruim. Crescimento também não é ruim.


Empresas podem ser instrumentos extraordinários de transformação da sociedade.


Elas resolvem problemas, geram empregos, movimentam a economia e criam oportunidades. O problema surge quando essas coisas deixam de ser ferramentas e passam a ser o objetivo principal de vida.


Quando isso acontece, o empreendedor deixa de administrar os recursos e começa a ser administrado por eles.


O humor passa a depender do faturamento. A paz depende do caixa. A identidade depende dos resultados. A segurança depende da próxima venda. A esperança depende da próxima oportunidade.


Talvez você reconheça alguma dessas situações na sua própria vida. Quando as demais coisas ocupam o primeiro lugar, elas passam a ocupar um espaço que pertence exclusivamente a Deus.


Por isso, talvez seja necessário fazer uma avaliação honesta: aquilo que deveria estar sob sua administração passou a governar você?


O que a Bíblia realmente ensina sobre prosperidade?


Existe uma ideia comum de que riqueza e espiritualidade são incompatíveis. Mas a própria Bíblia apresenta exemplos de pessoas que possuíam recursos e prosperidade.


Abraão foi próspero. Jó foi próspero. Davi governou um reino próspero. Salomão recebeu riquezas extraordinárias.


O problema nunca foi possuir recursos. O problema foi permitir que os recursos possuíssem o coração. Da mesma forma, a pobreza não é uma prova automática de espiritualidade.


Uma pessoa pode possuir pouco e ainda viver completamente presa à busca pelas demais coisas.


O verdadeiro divisor de águas não é o tamanho da conta bancária. É a posição que Deus ocupa no nosso coração.


Por isso, a pergunta não deve ser apenas quanto você possui. A pergunta mais importante é: quem governa aquilo que você possui?


Os recursos estão servindo ao propósito de Deus? Ou o propósito de Deus está sendo usado apenas para justificar a busca por mais recursos? Essa é uma reflexão importante para todo empresário cristão. Você precisa pensar sobre isso.


Sua empresa é apenas um negócio!


A maioria das pessoas enxerga a empresa como uma estrutura criada para gerar lucro. Mas e se estivermos olhando para ela de uma forma limitada? Você já parou para pensar que a sua empresa também pode ser uma importante plataforma de transformação?


Pense por alguns instantes: quantas horas uma pessoa passa na igreja durante a semana? Talvez duas ou três. Quantas horas ela passa trabalhando? Quarenta, cinquenta ou até mais, não é mesmo!


Isso significa que a cultura empresarial, querendo ou não, influencia o comportamento das pessoas todos os dias.


Dentro das empresas, as pessoas aprendem a liderar, servir, colaborar, resolver conflitos, lidar com autoridade, tomar decisões e tratar umas às outras.


As empresas influenciam famílias, cidades, comunidades e até nações. Por isso, um empresário cristão precisa compreender algo importante:


Sua empresa não é apenas um negócio. Sua empresa é um campo missionário.


Se você é líder, influencia vidas. Se emprega pessoas, influencia famílias. Se atende clientes, influencia comunidades. Seu negócio nunca afeta apenas números. Ele afeta pessoas.


Essa consciência muda a maneira de administrar. Cada decisão passa a ser analisada não apenas pelo impacto financeiro, mas também pelo impacto humano e espiritual que pode produzir.


Como sua empresa trata as pessoas? Que tipo de ambiente ela cria? O que seus funcionários aprendem com a sua liderança? O que seus clientes percebem na forma como são atendidos?


Essas perguntas também fazem parte da administração de um negócio cristão.





Métricas financeiras e métricas de propósito


Uma das maiores confusões do mundo empresarial é acreditar que o faturamento é o principal indicador de sucesso. Mas será mesmo?!


Imagine duas empresas. A primeira aumenta o lucro todos os anos. A segunda também cresce financeiramente, mas, além disso, desenvolve pessoas, fortalece famílias, gera empregos dignos, cria oportunidades e serve à comunidade.


Qual delas está produzindo maior impacto, a primeira ou a segunda?


O problema não está em acompanhar métricas financeiras. Elas são necessárias. Uma empresa precisa gerar lucro, pagar salários, crescer e manter-se sustentável.


Mas existe uma verdade que não podemos esquecer:

As métricas financeiras devem colaborar com as métricas de propósito.


O lucro não é o destino. O lucro é o combustível. O propósito, este sim é o destino. Por isso, além de perguntar quanto vendemos, quanto faturamos e quanto crescemos, o empresário cristão também deveria se perguntar:


  • Quantas pessoas estamos desenvolvendo?

  • Quantas vidas estamos impactando?

  • Quantas famílias estamos ajudando?

  • Que transformação estamos produzindo na sociedade?

  • Nosso negócio reflete os valores do Reino de Deus?


Essas perguntas não eliminam a necessidade de acompanhar os resultados financeiros. Elas ampliam a nossa compreensão sobre o verdadeiro significado do empreendedorismo.


Uma empresa pode ganhar dinheiro e ainda assim não cumprir um propósito relevante.


Da mesma forma, uma empresa pode enfrentar dificuldades financeiras durante uma fase e ainda estar construindo algo importante e transformador. Os números são necessários, mas não contam toda a história.


O chamado dos embaixadores


A Bíblia nos ensina que somos embaixadores de Cristo. Um embaixador representa um reino em outro território. Ele carrega a cultura do seu rei, fala em nome do seu rei e representa os interesses do seu rei.


O mesmo acontece com o empresário cristão. Seu papel não é apenas gerar riqueza. Seu papel também é manifestar os valores do Reino de Deus por meio da riqueza que administra.


Isso significa liderar com integridade, servir com excelência, agir com justiça e tratar as pessoas como pessoas, não apenas como recursos.


O Reino de Deus não se manifesta somente nos púlpitos ou dentro das igrejas. Ele também se manifesta em escritórios, fábricas, lojas, consultorias e empresas.


A forma como você conduz o negócio comunica alguma coisa. A maneira como lidera também comunica. O modo como trata clientes, funcionários e fornecedores revela os valores que realmente governam o seu coração.


É possível falar sobre fé, propósito e Reino de Deus, mas as decisões do dia a dia mostram aquilo em que realmente acreditamos.


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O verdadeiro teste da fé


Talvez você esteja vivendo exatamente esse momento. Talvez sinta que Deus está chamando você para algo maior, com mais propósito, missão e impacto. Talvez exista uma direção clara no seu coração e você esteja sendo convidado a alinhar sua empresa ao propósito que recebeu.


Mas existe um problema: as contas continuam chegando, as responsabilidades continuam existindo e as necessidades continuam aparecendo. Então surge o grande teste:


Você continuará buscando primeiro o Reino de Deus quando ainda não consegue ver as demais coisas chegando?


Esse é o momento em que a fé deixa de ser teoria. É quando a confiança em Deus se torna prática.


Fé não é acreditar apenas quando existe segurança. Fé é continuar caminhando quando a única certeza que você possui é a direção que Deus colocou diante de você.


Isso não significa agir de maneira irresponsável ou abandonar o planejamento.


O empresário cristão precisa administrar bem, tomar decisões com sabedoria e cuidar dos recursos que recebeu.


Significa reconhecer que, mesmo sendo responsável pela gestão, não é o dono absoluto da direção, se submetendo a Sua sabedoria infinita.




O próximo passo


No final, todo empresário cristão precisa tomar uma decisão. Existem dois caminhos possíveis.


O primeiro é viver guiado pelas necessidades. Nesse caminho, o medo, a ansiedade, o dinheiro e as circunstâncias passam a governar.


O segundo é viver guiado pelo Reino de Deus. Nesse caminho, o empreendedor continua assumindo a responsabilidade de administrar bem sua vida, seus recursos e sua empresa, mas reconhece que a direção pertence ao Senhor.


Ele entende que o sucesso não está apenas em acumular resultados. Está em cumprir o propósito para o qual foi chamado. A pergunta, portanto, não é apenas quanto você faturou este mês.


A pergunta é: Quem está governando sua empresa, sua vida e suas decisões: o Reino de Deus ou o desejo pelas demais coisas?


A resposta determinará não apenas o futuro do seu negócio. Determinará também o legado que você deixará na Terra.



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